
Após décadas de lutas, o sonho feminino de liberdade e igualdade de direitos acabou impondo às mulheres um outro tipo de prisão e dessa vez, a filosofia masculina e as tradições não são os únicos responsáveis.
O que se percebe é que os obstáculos à felicidade das mulheres no século XXI encontra seu fundamento, sobretudo no próprio desejo de sucesso absoluto seja no âmbito profissional quanto no pessoal.
É evidente, portanto, que a igualdade originalmente defendida por Sojourner Truth, Emmeline Pankhurst, Emily Davison, Mary Wollstonecraft em prol das mulheres além de sofrer substancial mitigação se perdeu em meio a tantas outas exigências femininas.
Afinal, para ser uma mulher de sucesso não basta poder falar o que pensa, é preciso decidir sempre correta e humanamente; não é suficiente ter o direito de vestir-se como quer, o corpo deve estar em forma e a roupa de acordo com as tendências de moda.
Os filhos, por sua vez, além de inteligentes e educados devem ser entre seus grupos de amigos, ou seja, filhos e destaque!
Além disso, seus homens, ahhh os homens (!!!!), estes precisam ser lindos, ricos, gentis, apaixonados, inteligentes, bem-sucedidos para conseguir acompanhá-las, afinal, uma "mulher maravilha" deve estar acompanhada do seu "super-homem".
Por isso, quem não conquista um bom marido, um bom trabalho e um corpo perfeito convive com o constante sentimento de fracasso pois não atingiu tais expectativas.
Isso, talvez não pudesse sequer se idealizado por aquelas feministas do século XIX e XX, mas é realidade suportada por todas as mulheres contemporâneas.
Exemplo disso, foi o episódio ocorrido no último dia 1 de janeiro, na posse na Presidenta Dilma Roussef, eis que, sem dúvida, marcha perante os militares, o desfile ao lado de sua filha e a admiração do Presidente Lula foram motivos de orgulho para qualquer mulher brasileira.
No entanto, ao confrontar tais eventos com outros fatos inerentes a pessoa da Presidente, como não ser casada, não se adequar às tendências de moda e beleza acabam por distorcer bastante esse sentimento de admiração.
Isso ainda é mais perceptível ao analisar que as atenções da mídia nos dias seguintes não foram direcionadas ao discurso eloquente e confiante da então Presidente empossada, mas a beleza e elegância da jovem senhora que dividia os olhares do público no parlatório do Planalto Federal.
Os olhares femininos naquele dia 1 de janeiro fixavam-se em direção aquele palanque pois ali reuniam-se todos os anseios e propósitos da "mulher maravilha", digo mulher contemporânea – poder; confiança; beleza; charme e romance!
Mas será que todos esses anseios podem ser atingidos por uma mulher de verdade? Serão suficientes? Fica a pergunta para a filosofia e psicologia solucionar!
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